Nasci em São Paulo, em 08 de outubro de 1976, em uma família pobre que veio para a “cidade grande em busca de melhores condições de vida”, algo tão comum no Brasil daquela época. Estudar e respeitar os outros sempre foram palavras de ordem na minha família.
Meu pai, João Bosco de Carvalho, é de São João Del Rey (MG), um de 16 irmãos de uma família rural, e teve apenas o antigo primário como educação formal. Durante toda sua vida trabalhou como topógrafo em construções civis, muitas vezes tendo que atravessar a cidade para chegar o trabalho, o que contribuiu definitivamente para a minha ética de trabalho.
Orminda Alves de Carvalho, minha mãe, é de Ubaitaba (BA), em uma família de 6 irmãos que veio para SP com uma mãe separada e com um filho ainda de colo. Minha mãe fez magistério e foi professora de ensino fundamental e uma inspiração para mim, com o jeito carinhoso e preocupado que tratava as crianças e que eu sempre reproduzi no meu trabalho docente. Da minha família materna também o meu tio e padrinho foi professor universitário, que me apresentou o universo acadêmico como uma possibilidade profissional.
O grande esforço dos meus pais foi voltado para a minha educação, pois nos anos 1980, a hiperinflação era um complicador para a economia doméstica das famílias. Eu estudei em uma escola particular chamada Fundação do Instituto Tecnológico de Osasco (FITO), que ficava longe da minha casa, o que me manteve morando com minha avó materna, pois era mais próxima da escola e o custo do transporte impossibilitaria meus estudos. Fiz todo o ciclo fundamental e médio nessa escola, que era muito tradicional em seus métodos pedagógicos, com alto grau de exigência de seus alunos.
Saí da FITO em 1995 e no ano seguinte entrei na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), no curso de Relações Públicas, o que deixou meus pais muito orgulhosos e me deixou muito feliz, pois embora eu tenha uma personalidade introspectiva, eu me identifiquei plenamente com a proposta do curso de relações públicas. Na ECA tive aulas com professores que me inspiraram a seguir a docência universitária, como Adilson Citelli, Elza Ajzenberg, Margarida Kunsch entre outros, tanto pelas aulas como pelas pesquisas desenvolvidas.
Durante a minha graduação, fiz parte da ECA Jr., como diretora de Recursos Humanos, e participei voluntariamente da organização dos eventos da ECA. NA ECA, fazemos dois trabalhos de conclusão de curso: a monografia, em que pesquisei sobre “O marketing cultural nos museus de arte: uma visão de relações públicas“, orientada pela Profª Drª Cristina Costa; e o projeto experimental sobre o MuBE (Museu Brasileiro de Escultura), orientada pela Profª Drª Margarida Kunsch. Ambos trabalhos foram premiados, pela ABRP (2º lugar na Categoria Entidades/ Associações) e pela Intercom (1º lugar em Projeto Experimental Institucional, Expocom), respectivamente.
Na época, eu tinha interesse em dois temas, cultura e ética, e acabei descobrindo, posteriormente, que eu gosto de mudar os assuntos pesquisados, de entender as diversas facetas que a transdisciplinaridade da comunicação permite. Essa curiosidade me levou a orientar, muitos anos depois, temas muito diversos em monografias, mostrando também que relações públicas não se limitam à vida organizacional das empresas públicas e privadas.
Logo após o fim da minha graduação em Relações Públicas, atuei na agência de comunicação CDN – Companhia de Notícias, entre 2000 e 2002. Lá eu trabalhei junto à equipe de relações governamentais, sob as chefias de Andrew Greenless e Carlos Muanis, profissionais com quem aprendi muito atendendo clientes de grande porte, nacionais e internacionais. Foi uma experiência muito rica, pois não existia rotina nas minhas atividades, mas também percebi que eu não tinha o perfil adequado para trabalhar em agência.
Ao sair de lá, me dediquei por alguns anos exclusivamente à docência no ensino superior e aos estudos de pós-graduação. Iniciei minha carreira docente por indicação da Profª Drª Margarida Kunsch e fui contratada pela Profª Drª Valéria Lopes, que havia sido minha professora durante a graduação, na FIAM (2002-2005) que estava reestruturando seu corpo docente do curso de Relações Públicas. Aceitei sem hesitar e descobri o campo profissional que me realizava profissionalmente: a docência universitária. Nesse período, fiz uma especialização em Propaganda e Marketing (USJT, 2003-2004), curso em universidade particular que me permitiu entender a visão do aluno do ensino superior particular. Nesse curso, apresentei a monografia “O uso do marketing cultural como ferramenta de valorização da marca“, que deu origem ao artigo publicado posteriormente.
Em 2004 conheci e me casei com Luiz Fernando Furlan, com quem em 2005 iniciei um MBA em Gestão Empresarial (FGV in company, 2005-2007), e essas duas pós-graduações ampliaram minha visão da comunicação organizacional, com essa visão administrativa que faltava em minha formação. A empresa em que meu marido trabalhava abriu uma turma para seus colaboradores e estendeu a possibilidade de que estes convidassem seus cônjuges ou filhos para participarem, o que me deu a oportunidade tanto de adquirir mais conhecimento como de vivenciar a educação corporativa. Apresentei a monografia “Estruturação da área de compliance em instituição financeira“, escrito em conjunto com Luiz Fernando Furlan.
Em 2006 iniciei meu trabalho como docente na FAD (2006-2009) e entre 2008 e 2009 fui docente na Uniso, Uniban e Metodista, enquanto frequentava as aulas do mestrado como aluna ouvinte e como aluna especial, o que me ajudou a estruturar meu projeto de pesquisa.
Entrei no mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (PPGCOM-USP, 2008-2010) orientada pela Profª Drª Clotilde Perez, mas as divergências entre meus objetivos de pesquisa e o campo de atuação dela me fez, em comum acordo com a docente, buscar outro orientador. Finalizei o mestrado sob orientação do Prof Dr Paulo Nassar. Desenvolvi minha dissertação “Características identitárias brasileiras: suas influências na pequena empresa” orientada pelo Prof. Dr. Paulo Nassar e com os professores doutores Eneus Trindade Barreto Filho (ECA-USP) e Edson Cresciltelli (FEA-USP). Nessa banca, me aproximei muito de questões teóricas administrativas, o que me levou a repensar minhas pesquisas em consideração às arguições da banca.
No mestrado, fui representante discente tanto da Comissão de Pós-Graduação (CPG) como do PPGCOM e da Comissão de Direitos Humanos da ECA. Também participei ativamente do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, cujo objetivo é é cuidar da qualificação como profissional docente dos mestrandos e doutorandos da USP. Nesse programa, cumpri a Etapa de Conjunto de Conferências; dois estágios supervisionados com bolsa nas disciplinas CRP0354 – Administração em Publicidade, com a Profª Drª Clotilde Perez, e CRP0396 – Planejamento de Relações Públicas II, com a Profª Drª Margarida M. Krohling Kunsch; e também fiz o PAE voluntariamente com a Profª Drª Margarida Kunsch na disciplina CRP0387 – Comunicação Organizacional. Ao final do mestrado, fui professora convidada para ministrar a disciplina CRP-0385 – Teorias das Organizações Aplicadas à Comunicação durante um semestre aos alunos de graduação de Relações Públicas.
Após a conclusão do mestrado, eu passei no concurso para trabalhar no Hospital das Clínicas, no cargo de analista sociocultural, em que atuei entre 2011 e 2014 como ouvidora no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) e fiz o curso de ouvidoria pela Associação Brasileira de Ouvidores e Ombudsman para ter qualificação suficiente para exercer o trabalho. Foi um trabalho muito delicado, em que pude me aproximar de pessoas com situações muito peculiares e fazer com que o poder público se responsabilizasse pelo atendimento adequado ao cidadão, respeitando o artigo Art. 196 da Constituição Federal de 1988, “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. O trabalho na ouvidoria deu origem a um artigo publicado.
Concomitantemente ao meu trabalho no IOT, voltei para a docência universitária e atuei como professora e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda (2011-2012) na Anhanguera , um trabalho que agregou muitos conhecimentos e habilidades profissionais, especialmente no que tange a gestão em uma instituição de ensino superior.
Como decorrência do trabalho da ouvidoria, surgiu uma ideia para a pesquisa de doutorado, no qual ingressei em 2014, mesmo ano em que tive que sair do HC por motivo de incompatibilidade do horário de trabalho com o horário das aulas e dos encontros do grupo de pesquisa ao qual me dedicaria pelos próximos 4 anos. Em 2017, fui entrevistada para o projeto Memórias Ecanas, realizado pelos alunos de graduação da ECA-USP e orientado pelo Prof Dr Paulo Nassar.
Obtive bolsa CAPES e novamente participei do PAE, nas disciplinas: CRP0322 – Ética e Legislação Publicitária com supervisão do Prof. Dr. Leandro Leonardo Batista; CRP0387 – Comunicação Organizacional com a Profª Drª Margarida M. Krohling Kunsch; CRP0445 – Gestão Estratégica de Projetos de Relações Públicas com a Profª Drª Valéria de Siqueira Castro Lopes; e CRP0305 – Empreendedorismo e Assessoria em Relações Públicas com a Profª Drª Valéria de Siqueira Castro Lopes; além de ser eleita novamente representante discente nas categorias PAE e CPG.
No doutorado, orientado pela Profª Drª Heloiza Matos e Nobre, defendi em março de 2018 a tese intitulada “Pastoral da Saúde: uma análise do discurso do sujeito coletivo na perspectiva do capital social e do reconhecimento”, com a banca composta pelos professores doutores Ieda Borges (UniFAI), Vanderli Carvalho (UNIFESP), Arquimedes Pessoni (UCSC), Ricardo Alexino (ECA) e Devani Reis (ECA).
Durante o doutorado, fui membro do Grupo de Pesquisas em Comunicação Pública e Política, liderado pela minha orientadora, Profª Drª Heloiza Matos e Nobre. Nesse período, o grupo produziu e lançou três coletâneas com nossa produção (vol. 1 – Comunicação pública: interlocuções, interlocutores e perspectivas; vol. 2 – Pesquisas em comunicação pública e política: vertentes teóricas e metodológicas; vol. 3 – Comunicação, políticas públicas e discursos em conflito). Também nesse período, me envolvi com a discussão e pesquisa sobre o trabalho do docente universitário, tendo participado dos congressos de ensino propostos pela Pró-Reitoria de Graduação da USP e apresentado pôsteres (2016 e 2017) sobre o PAE com as parceiras do grupo de pesquisa, Tariana Brocardo Machado e Liliane Moiteiro Caetano. Outra parceria importante oriunda desse grupo de pesquisas foi com Devani Salomão de Moura Reis, com quem publiquei diversos artigos.
Enquanto estava no doutorado, cursei a segunda especialização pela FEARP-USP (2013-2015), Inovação e Gestão em EAD, na modalidade a distância, com a monografia “EAD em Relações Públicas: uma análise dos cursos similares oferecidos”; publicado no livro “Sobre educação e tecnologia: conceitos e aprendizagem“. Além disso, iniciei também uma nova graduação na modalidade tecnológica, Design Educacional, pela Unifesp (2017-2019). O trabalho de conclusão de curso foi intitulado “Cervejeiro artesanal profissional: curso livre EAD“, que apresenta uma proposta de um curso online para cervejeiros iniciantes, que está relacionado com um hobby que se profissionalizou.
Nesse período, também fiz curso de Tecnologia Cervejeira e abri uma empresa e uma fábrica, a Cervejaria Zuraffa, inaugurada em fevereiro de 2018, localizada em Pinheiros (SP) e especializada em cervejas e comidas artesanais, em sociedade com meu marido e um casal de amigos, em que atuo como sócia-proprietária e conselheira administrativa.
Em 2018, após finalizar o doutorado, fui chamada em outro concurso que eu havia prestado, desta vez para atuar como analista de gestão educacional na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Logo que entrei, em 2018, passei aproximadamente um ano atuando como designer instrucional e depois fui para outra equipe, Polos, para criar treinamentos para os orientadores de polos, pessoas que ficam à frente dos polos de apoio presencial, lidando diretamente com os alunos. Dentre as atividades que desenvolvo, estão pensar a estrutura dos treinamentos, fazer a curadoria dos materiais de estudo, disponibilizar conteúdo no ambiente virtual de aprendizagem, inicialmente através do Canvas e a partir de 2019 pelo Blackboard. Mais um artigo surgiu desse trabalho, dessa vez em parceria com Priscilla Ramos Lara Ribeiro.
Ainda em 2018, prestei o concurso de professora temporária na ECA-USP, no Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo, para as disciplinas CRP0417 Ética e Legislação em comunicação Social e Relações Públicas (atual CRP0542 Ética e Governança nas Organizações), CRP0482 Ética e Legislação em turismo e CRP0444 Ciência Política (atual CRP0537 Introdução às Ciências Políticas). Fui aprovada e passe por três prorrogações do contrato, exceção ocorrida motivada pela pandemia de Covid-19, tendo ministrado e atualizado as disciplinas, orientado diversas monografias de graduação e participado de diversas bancas públicas. Também nesse período fui convidada a ministrar disciplinas nas especializações lato sensu da ECA-USP, inclusive orientando uma monografia. O contrato iniciou em 2018 e foi prorrogado até dezembro de 2021.
Em 2019 fui contratada para lecionar novamente na FIAM (2019-atual), onde também oriento monografias e projetos experimentais. Neste ano, apresentei um pôster no Congresso de Graduação da ECA a respeito da metodologia de avaliação das disciplinas de Ética e em 2021 escrevi em conjunto com meus alunos monitores um pôster no 6º Congresso de Graduação da USP e um artigo no III Colóquio Acadêmico Abrapcorp, o que considero muito relevante por se tratar de reflexões sobre o meu trabalho acadêmico.
Durante a pandemia de Covid-19, usei o tempo economizado com o home office para fazer dois cursos de formação pedagógica para graduados, Letras – Português e Filosofia, e uma especialização em Jornalismo Digital, todos na modalidade online. Foram cursos rápidos e simples, mas que me apresentaram novas perspectivas sobre educação e comunicação.
Em 2022, me tornei uma “concursionada” na Univesp, alcunha dada aos concursados que assumem cargos comissionados. Estou coordenando a Equipe de Polos, responsável por mais de 420 polos de apoio presencial em 370 municípios do Estado de São Paulo. Entre minhas atribuições está a gestão de todos estes acordos de cooperação com as prefeituras, utilizando técnicas de planejamento e comunicação política, pública e governamental, além da realização de eventos presenciais agregando todas estas pessoas, onboarding semanal para os novos colaboradores municipais e discussões sobre os regulamentos da instituição.
Esta é minha trajetória multifacetada até o momento: pesquisei, publiquei e orientei em diversos assuntos, como pode ser visto nos demais itens deste memorial. A docência universitária é o trabalho que mais me inspira e motiva, pois posso vislumbrar mudanças sociais para o futuro próximo. Minha dedicação aos estudos se provou uma decisão acertada e meu objetivo agora é me dedicar às pesquisas sobre o tema que mais me interessa: a intersecção entre sociedade contemporânea, ética e política; e às orientações de trabalhos de conclusão de curso, sejam monografias ou projetos experimentais e espero em breve, poder orientar pesquisas de mestrado e doutorado. No mais, agradeço cada conquista à minha família, aos meus alunos, aos meus orientandos, aos meus colegas de trabalho e pesquisa, aos meus amigos e aos meus mestres. Vocês são minha inspiração e meu legado.
